Como partidos distribuíram recursos para campanhas de deputados em São Paulo, quanto foi direcionado à comunicação e qual foi o resultado em número de cadeiras conquistadas


Thainá Salviato/Rádio Senado

As eleições de 2026 mostram como os recursos dos fundos eleitorais foram transformados em estruturas de comunicação para as candidaturas a deputado federal. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) destinou aproximadamente R$ 4,9 bilhões aos partidos em todo o país. O PL recebeu R$ 881,7 milhões, o PT R$ 615,4 milhões e o PSOL R$ 131,5 milhões.

Parte desses recursos chegou às campanhas de deputados e foi aplicada em diferentes formas de marketing político: impulsionamento nas redes sociais, publicidade impressa, adesivos, produção audiovisual, jingles, serviços de comunicação e mobilização de rua.

Em São Paulo, onde estavam em disputa 70 cadeiras da Câmara dos Deputados, o resultado permite observar quantos candidatos de cada legenda chegaram à Câmara. O PL ampliou sua bancada paulista para 19 deputados, enquanto o PSOL elegeu seis.

PL: forte concentração em mídia digital

Entre as campanhas financiadas pelo PL, o caso de Lucas Pavanato mostra uma aplicação expressiva de recursos em comunicação digital.

Pavanato declarou cerca de R$ 3,08 milhões em recursos, sendo aproximadamente R$ 2,87 milhões provenientes do partido. Dos gastos registrados, R$ 1,35 milhão foi destinado ao impulsionamento de conteúdos, o equivalente a cerca de metade das despesas declaradas. Outros R$ 314,6 mil foram destinados à publicidade impressa, R$ 136,1 mil à militância e mobilização de rua e R$ 125 mil à produção de jingles, vinhetas e slogans.

O candidato terminou a eleição com 3.038.438 votos, a maior votação para deputado federal em São Paulo, e foi eleito pelo quociente partidário. O PL terminou a eleição com 19 deputados federais eleitos no estado.

O caso mostra uma estratégia em que uma parcela expressiva dos recursos partidários destinados à candidatura foi convertida diretamente em distribuição de conteúdo digital.

PSOL: comunicação dividida entre produção, material e mobilização

O PSOL recebeu R$ 131,5 milhões do FEFC nacionalmente.

Nas campanhas de seus principais nomes em São Paulo, a utilização dos recursos foi mais distribuída entre diferentes formatos de comunicação.

Erika Hilton declarou aproximadamente R$ 2,38 milhões em receitas, dos quais R$ 2,24 milhões vieram do PSOL. Entre as principais despesas estavam R$ 334,3 mil em serviços prestados por terceiros, R$ 332,8 mil em publicidade impressa, R$ 216,8 mil em pessoal, R$ 126,4 mil em adesivos e R$ 68 mil em impulsionamento.

Erika terminou a eleição com 1.596.472 votos, a segunda maior votação para deputado federal em São Paulo.

Já Sâmia Bomfim recebeu R$ 2,12 milhões do partido. Sua prestação de contas registrava R$ 572 mil em publicidade impressa, R$ 496 mil em mobilização de rua, R$ 370,1 mil em serviços de terceiros, R$ 205 mil em adesivos e R$ 68 mil em impulsionamento.

Sâmia foi eleita com 583.107 votos. Ao todo, o PSOL elegeu seis deputados federais em São Paulo.

Missão: campanha com menor participação partidária

O caso do Missão apresenta uma estrutura financeira diferente.

A campanha de Kim Kataguiri declarou R$ 496 mil em recursos, mas apenas R$ 13,9 mil vieram do partido. A maior parte foi obtida por financiamento coletivo e doações de pessoas físicas.

Dos gastos registrados, R$ 118,4 mil foram destinados ao impulsionamento, R$ 53,4 mil à publicidade impressa, R$ 31,6 mil a adesivos e R$ 6,6 mil a eventos de promoção da candidatura.

Kim foi eleito com 520.071 votos, tornando-se um dos principais resultados eleitorais do novo partido em São Paulo.

O que os partidos compraram com o dinheiro

Os dados das campanhas mostram que a verba partidária não foi transformada apenas em anúncios.

O dinheiro financiou produção e distribuição de conteúdo, publicidade digital, materiais impressos, adesivos, eventos, mobilização de rua e serviços especializados.

A diferença está na prioridade dada por cada campanha. Pavanato concentrou aproximadamente metade das despesas declaradas em impulsionamento. Sâmia destinou parcelas maiores a materiais impressos e mobilização. Erika distribuiu recursos entre produção, materiais, estrutura e mídia digital. Kim apresentou uma campanha menor, com participação significativa de financiamento coletivo e forte presença de impulsionamento.

O retorno observado nas urnas

O resultado eleitoral permite medir um primeiro indicador objetivo: quantos candidatos financiados chegaram ao cargo.

Em São Paulo, o PL terminou com 19 deputados eleitos, o PSOL com seis, enquanto Kim Kataguiri foi eleito pelo Missão. Entre os candidatos analisados, Pavanato, Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Kim Kataguiri estiveram entre os cinco mais votados do estado.

Os partidos transformaram recursos financeiros em capacidade de comunicação e distribuíram essa estrutura entre suas candidaturas. O resultado final foi mensurado nas urnas pelo número de candidatos eleitos e de cadeiras conquistadas.

Assim, o marketing eleitoral aparece menos como uma despesa isolada e mais como uma das principais formas de transformar o orçamento partidário em presença pública durante a campanha.

Translate »